Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

Manekineko

Começou a amar o que de mais irracional havia. Até os pequenos bibelôs  que foi encontrar numa casa partilhada, lhe começavam a fazer companhia. O seu favorito era o gato japonês, com aquela mão nervosa que, em muitos dias, era a interacção mais honesta e calorosa que recebia.

 

Era profundamente triste. No fundo tudo o quanto era, era profundo.

 

Questionava-se muitas vezes se tal estado, dessa forma tão insistente, não seria devido a ter visto muitos filmes desde quando era pequena. Perdia por vezes a noção de se perspectivar. Movimentos que são ensaiados para serem o mais próximo da realidade representados e que, para ela, são tão naturais que a impediam de ser transparente.

 

O que a tornava complicada para o resto do mundo era a instabilidade do que sentia e do que fazia sentir. Intensidade. Era o frenetismo de pensamentos que comandavam o sentido do peito. Tinha noção que, por ser como era, ia testando cada vez mais os seus limites de carga. O pior eram os dias em que a carga pesava tanto que desiquilibrava cada passo dado e a linha,que podia ser recta, se transformava em linhas embaraçadas onde se perdia o fio à meada. Esta caminhada era um exercício que fazia com que dissesse muitas vezes para si própria “Vai-me tornar mais rija.”. Também muitas vezes percebia que não passava de uma coisa que se diz para não ter de enfrentar as coisas.

 

Perdia o medo de coisas, ganhava medo a outras.

Nessa altura o medo de perder os pais não a largava. O amor incondicional. Perder quem nos conhece e que nos lembra quem somos. Naquela altura precisava disso diariamente.

 

Era sozinha. Sempre foi. Mas sentia-se mais sozinha. Meio perdida, sentada num último degrau de uma escada de pedra mármore. “Ainda te pisam!” Escutou.

 

Olhou para cima e sentiu que nada do que pudesse ser dito naquele momento faria tanto sentido como aquilo.

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publicado por Cátia Domingues às 16:04
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